1- Como se diferencia a obstração nasal por rinite alérgica da hipertrofia de adenóide?

As queixas que predominam na rinite alérgica incluem prurido nasal e ocular, comprometimento do fluxo aéreo pelas cavidades nasais, crises esternutatórias, conjuntivite, lacrimejamento. A secreção nasal que geralmente é profusa e aquosa, pode tornar-se mucopurulenta.

No caso de hipertrofia de tonsilas faríngeas como resposta a condições não-alérgicas, a anamnese revelará diversas combinações de queixas, como respiração bucal, roncos de intensidade variável, tosse não-produtiva persistente, hálito fétido, prurido ou ardência na garganta, relato de “resfriados freqüentes” , muco espesso na garganta e outras.

2- Quando é indicada a adenomigdalectomia?

Comprometimento da qualidade do sono, da ventilação pulmonar, das condições circulatórias, da deglutição, desenvolvimento físico orofacial, alterações otológicas, hálito fétido, alterações da voz, abscessos peritonsilares, tonsilites crônicas, sinusites, diversas condições odontológicas, irritabilidade, falta de concentração, compromentimento do desempenho escolar, sudorese excessiva, enurese noturna e anorexia constituem, entre outras, indicações para o tratamento cirúrgico.

A hipertrofia adenotonsilar pode causar cor pulmonale e a síndrome da apnéia obstrutiva do sono. O compromentimento da estrutura do sono interfere na liberação do hormônio do crescimento com reflexos nos desenvolvimentos ponderal, estatural e cognitivo da criança.

Na vigência de alergia das vias respiratórias altas devem receber tratamento médico adequado antes da intervenção cirúrgica cuja indicação deverá considerar o parecer do pediatra e/ou alergista.

3- Há alguma relação entre otite média serosa e alergia?

O controle das alterações da mucosa nasal e rinofaríngea por meio de tratamentos antialérgicos e condutas complementares mostra-se benéfico ao reduzir freqüência e intensidade dos episódios de otite média serosa. O acompanhamento médico atento à evolução dos sinais e sintomas e a orientação dos pais quanto a cuidados básicos facilitarão, mesmo que indiretamente, a cura da otite média serosa, acelerando-a nos inúmeros casos em que ocorre espontaneamente.

Entre os cuidados básicos necessários, está o controle dos ambientes freqüentados. Os pais devem ficar atentos em relação às condições nas creches e escolinhas e impedir que as crianças fiquem expostas ao tabagismo passivo. A rinopatia alérgica não controlada pode facilitar a manifestação de episódios infecciosos em fossas nasais, cavidades sinusais e rinofaringe que, em muitos casos, implicará falência funcional da tuba auditiva e da orelha média.

A indicação de antibioticoterapia deve ter apoio em análise judiciosa para não suscitar desenvolvimento de resistência bacteriana.

Estudos feitos nos últimos dois anos vêm confirmado a utilidade dos esteróides tópicos nasais no controle da rinopatia alérgica, mesmo em crianças pequenas, desde que mantidas sob controle médico e observada posologia adequada.

A otite média serosa pode ocorrer após episódios de rinites e rinofaringetes viróticas, bacterianas e otites médias agudas.

Se obtivermos melhor mastigação e deglutição, facilitaremos o processamento oral de alimentos sólidos e o abandono de mamadeiras.

4- Qual a orientação para a terapêutica nos casos de sinusite bacteriana?

É importante a higiene das fossas nasais por meio de irrigações com solução salina hipertônica tamponada. A remoção de secreção e crostas e a redução do edema da mucosa nasal proporcionada por esta técnica permitem a recuperação funcional da mucosa, isto ao facilitar a atividade ciliar tornando pátulas as fossas nasais. A irrigação nasal, seguida do uso de esteróides tópicos nasais, propicia alívio aos pacientes por meio do efeito antiinflamatório e conforto, pelo efeito descongestionante nasal e sinusal.

A antibioticoterapia nos casos de sinusites crônicas ou subagudas deverá considerar os microrganismos mais freqüentes nesses casos e as condições sistêmicas de cada paciente.

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